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CRECHE
É REFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOCIAL
Unidade de educação infantil da Hydronorth
recebeu destaque no anuário do Instituto Ethos
Cambé - Crianças que se amontoam em pequenos
cômodos. Agressões freqüentes do pai contra a mãe.
Crianças abusadas sexualmente ou espancadas sem justificativa.
Cárcere privado ou a libertade total das ruas. Alcoolismo e drogas
ao alcance das mãos.
Dramas que fazem parte da vida de muitas famílias pobres moradoras
nos bairros vizinhos ao Centro de Educação Infantil Rei
Davi, no Parque Industrial, em Cambé (13 km a oeste de Londrina),
onde estão matriculados 140 meninos e meninas. Ao entrar nesta
escola, em tempo integral, as crianças atenuaram o peso do sofrimento
cotidiano. Elas ganharam um novo ambiente de vida e mais perspectiva
para se livrar da miséria.

Tudo graças a uma iniciativa da empresa de tintas e impermeabilizantes
para telhas e pisos Hydronorth, que teve faturamento bruto de cerca
de R$ 49 milhões em 2003 e que emprega 230 pessoas na indústria
instalada à margem da BR-369.
Às vésperas de completar cinco anos de existência,
a creche - como carinhosamente é chamada pelas crianças
e funcionários - se tornou uma referência para iniciativas
de responsabilidade social. O projeto bem-sucedido é destaque
no item Excelência em Gestão do "Anuário Expressão
de Gestão Social", publicado pela Ethos, o mais importante
instituto de promoção de ações de responsabilidade
social do País.
Ao lado da Cocamar, a empresa é a única empresa genuinamente
paranaense a figurar entre as 13 destacadas neste item para a região
Sual. "Sabemos que a parceria com as organizações
não-governamentais é que fará a diferença
e ajudará a comunidade", declarou ao anuário Matheus
Stadler Góis, diretor de Desenvolvimento Humano e Responsabilidade
Social da empresa.
Góis lembra que a empresa não faz questão de divulgar
a iniciativa mas que o trabalho da creche já influenciou outros
empresários locais "a fazer ações socialmente
responsáveis". Segundo ele, é comum clientes e fornecedores
se encantarem com as instalações e o ambiente durante
as visitas a creche.
Dos 140 matriculados na creche, menos de 10% são filhos de funcionários
da Hydronorth. A grande maioria do grupo é formada por crianças
que moram em bairros pobres nas imediações da creche (que
fica nos fundos da indústria). Elas vêm do Parque Manela,
dos jardins Ana Rosa, União, São Paulo e Santo Amaro.
Segundo dados colhidos para a triagem realizada semestralmente, a maioria
dos pais é servente de pedreiro e empregada doméstica.
Para passar pela triagem, feita casa a casa pela própria equipe
de 13 professores, a criança beneficiada tem que ter pais trabalhando
e sua família não deve ter renda superior a R$ 110 por
pessoa. "Também recebemos crianças encaminhadas pelo
Conselho Tutelar e as excedentes da rede municipal de creches",
conta a coordenadora pedagógica da universidade, Cláudia
da Silveira.
As crianças são divididas em cinco grupos pedagógicos
e recebem o método sócio-construtivo: com 1 e 2 anos elas
ficam no berçário; aos 3, passam para o maternal; aos
4, ao jardim I; aos 5 ao jardim II; e aos 6, elas já tem noções
de alfabetização na pré-escola. Recebem uniforme,
material escolar, três refeições diárias,
apoio psicológico, dentário e pediátrico. A Hydronorth
investe cerca de R$ 200 por mês para cada criança.
| EXPANSÃO
E INCORPORAÇÃO DOS PAIS AO PROJETO |
A
diretoria da Hydronorth já decidiu: em 2005 o Centro de
Educação Infantil Rei Davi deve receber investimentos
para a ampliação de sua capacidade.
Ao invés dos atuais 140, a unidade deverá atender
200 crianças no próximo ano letivo. Falta definir
apenas onde será construída a próxima ala.
A ampliação não é uma novidade na
estrutura da creche. Quando foi fundada, a creche atendia 30 crianças.
No ano seguinte, a capacidade saltou para 90. No terceiro, já
atendia 114.
Além de um número maior de crianças, a Rei
Davi deve ter outra novidade. O envolvimento dos pais em reuniões,
eventos e festas - a participação deles é
pressuposto para que as crianças mantenham o direito à
matrícula - deve ser aprodundado.
No mês que vem, a equipe de funcionários da creche
vai começar a selecionar um grupo de mulheres para um curso
profissionalizante de recepcionistas. Também há
planos para cursos de artesanato para complementação
de renda familiar e outros cursos profissionalizantes. A médio
prazo, está prevista a implementação de um
programa de combate à exclusão digital.
"Nós temos interesse que os pais mantenham-se empregados
e queremos usar a estrutura nos finais de semana para garantir
isso", explica a educadora Cláudia da Silveira, uma
ex-professora de um prestigiado colégio particular de Londrina
que "mudou sua visão de mundo" desde que conheceu
a realidade das crianças pobres de Cambé. "Quando
cheguei, chorava quase todos os dias. O que espero, é que
a base que as crianças recebem aqui não se perca
durante o resto da vida escolar".
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Material retirado do jornal Folha de Londrina
Quarta-feira, 28 de Julho de 2004
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