2004

Creche é referência de responsabilidade social

CRECHE É REFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOCIAL
Unidade de educação infantil da Hydronorth recebeu destaque no anuário do Instituto Ethos


Cambé - Crianças que se amontoam em pequenos cômodos. Agressões freqüentes do pai contra a mãe. Crianças abusadas sexualmente ou espancadas sem justificativa. Cárcere privado ou a libertade total das ruas. Alcoolismo e drogas ao alcance das mãos.

Dramas que fazem parte da vida de muitas famílias pobres moradoras nos bairros vizinhos ao Centro de Educação Infantil Rei Davi, no Parque Industrial, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), onde estão matriculados 140 meninos e meninas. Ao entrar nesta escola, em tempo integral, as crianças atenuaram o peso do sofrimento cotidiano. Elas ganharam um novo ambiente de vida e mais perspectiva para se livrar da miséria.

Tudo graças a uma iniciativa da empresa de tintas e impermeabilizantes para telhas e pisos Hydronorth, que teve faturamento bruto de cerca de R$ 49 milhões em 2003 e que emprega 230 pessoas na indústria instalada à margem da BR-369.

Às vésperas de completar cinco anos de existência, a creche - como carinhosamente é chamada pelas crianças e funcionários - se tornou uma referência para iniciativas de responsabilidade social. O projeto bem-sucedido é destaque no item Excelência em Gestão do "Anuário Expressão de Gestão Social", publicado pela Ethos, o mais importante instituto de promoção de ações de responsabilidade social do País.

Ao lado da Cocamar, a empresa é a única empresa genuinamente paranaense a figurar entre as 13 destacadas neste item para a região Sual. "Sabemos que a parceria com as organizações não-governamentais é que fará a diferença e ajudará a comunidade", declarou ao anuário Matheus Stadler Góis, diretor de Desenvolvimento Humano e Responsabilidade Social da empresa.

Góis lembra que a empresa não faz questão de divulgar a iniciativa mas que o trabalho da creche já influenciou outros empresários locais "a fazer ações socialmente responsáveis". Segundo ele, é comum clientes e fornecedores se encantarem com as instalações e o ambiente durante as visitas a creche.

Dos 140 matriculados na creche, menos de 10% são filhos de funcionários da Hydronorth. A grande maioria do grupo é formada por crianças que moram em bairros pobres nas imediações da creche (que fica nos fundos da indústria). Elas vêm do Parque Manela, dos jardins Ana Rosa, União, São Paulo e Santo Amaro. Segundo dados colhidos para a triagem realizada semestralmente, a maioria dos pais é servente de pedreiro e empregada doméstica.

Para passar pela triagem, feita casa a casa pela própria equipe de 13 professores, a criança beneficiada tem que ter pais trabalhando e sua família não deve ter renda superior a R$ 110 por pessoa. "Também recebemos crianças encaminhadas pelo Conselho Tutelar e as excedentes da rede municipal de creches", conta a coordenadora pedagógica da universidade, Cláudia da Silveira.

As crianças são divididas em cinco grupos pedagógicos e recebem o método sócio-construtivo: com 1 e 2 anos elas ficam no berçário; aos 3, passam para o maternal; aos 4, ao jardim I; aos 5 ao jardim II; e aos 6, elas já tem noções de alfabetização na pré-escola. Recebem uniforme, material escolar, três refeições diárias, apoio psicológico, dentário e pediátrico. A Hydronorth investe cerca de R$ 200 por mês para cada criança.

EXPANSÃO E INCORPORAÇÃO DOS PAIS AO PROJETO
A diretoria da Hydronorth já decidiu: em 2005 o Centro de Educação Infantil Rei Davi deve receber investimentos para a ampliação de sua capacidade.
Ao invés dos atuais 140, a unidade deverá atender 200 crianças no próximo ano letivo. Falta definir apenas onde será construída a próxima ala. A ampliação não é uma novidade na estrutura da creche. Quando foi fundada, a creche atendia 30 crianças. No ano seguinte, a capacidade saltou para 90. No terceiro, já atendia 114.

Além de um número maior de crianças, a Rei Davi deve ter outra novidade. O envolvimento dos pais em reuniões, eventos e festas - a participação deles é pressuposto para que as crianças mantenham o direito à matrícula - deve ser aprodundado.

No mês que vem, a equipe de funcionários da creche vai começar a selecionar um grupo de mulheres para um curso profissionalizante de recepcionistas. Também há planos para cursos de artesanato para complementação de renda familiar e outros cursos profissionalizantes. A médio prazo, está prevista a implementação de um programa de combate à exclusão digital.

"Nós temos interesse que os pais mantenham-se empregados e queremos usar a estrutura nos finais de semana para garantir isso", explica a educadora Cláudia da Silveira, uma ex-professora de um prestigiado colégio particular de Londrina que "mudou sua visão de mundo" desde que conheceu a realidade das crianças pobres de Cambé. "Quando cheguei, chorava quase todos os dias. O que espero, é que a base que as crianças recebem aqui não se perca durante o resto da vida escolar".

Material retirado do jornal Folha de Londrina
Quarta-feira, 28 de Julho de 2004

Enviar para um amigo